Em sua 8ª edição, o IFC Brasil se posiciona como um evento internacional, no centro da integração da aquicultura latino-americana. De 02 a 04 de setembro, Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná, será sede do evento que reflete o salto da aquicultura do continente.
Mais do que acompanhar o crescimento do setor, o evento reflete o momento histórico em que a piscicultura regional ganha escala, integração e protagonismo global, impulsionada especialmente pelo avanço brasileiro e pela abertura de novas fronteiras produtivas no continente. Realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná, na fronteira entre países e mercados, o evento acompanha a evolução de um setor que deixou de ser promessa para assumir protagonismo global, impulsionado pelo crescimento da piscicultura brasileira e pela integração produtiva entre nações sul-americanas.
Os dados dos países do continente são animadores. O Brasil, por exemplo, alcançou uma marca histórica ao atingir 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em 2025, volume que há dez anos ainda era considerado um objetivo distante. O resultado posiciona o país em um grupo seleto de produtores mundiais e abre caminho para novos saltos produtivos nos próximos anos, evidenciando o potencial latino-americano dentro da aquicultura global.
O Paraná, sede do IFC Brasil, é o estado com a maior produção do país. Em 2025, conforme dados da Peixe BR, o Estado produziu 273.100 toneladas de peixes cultivados, mantendo a liderança nacional e consolidando um modelo produtivo baseado em cooperativismo, tecnologia e integração industrial que hoje serve de referência para toda a América Latina.
Esse crescimento está diretamente ligado à consolidação da tilapicultura como principal vetor da aquicultura nacional. A espécie representa atualmente 70% da produção brasileira, superando 700 mil toneladas anuais e colocando o país entre os maiores produtores globais, atrás apenas de China, Indonésia e Egito. O desempenho é resultado de organização produtiva, avanço tecnológico e integração industrial, especialmente no Paraná, onde cooperativas ampliaram escala, eficiência e capacidade de processamento, com unidades capazes de abater mais de 200 mil peixes por dia. O setor projeta expansão contínua, com taxas superiores a dois dígitos, sustentadas por inovação genética, melhoria da eficiência alimentar e profissionalização da cadeia.
Itaipu e a nova fronteira aquícola latino-americana
No centro dessa transformação está o reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que passa a simbolizar o início de uma nova etapa da piscicultura brasileira e da América Latina. A outorga concedida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico autorizou o uso das águas do lago para aquicultura em tanques-rede por um período de 35 anos, estabelecendo critérios ambientais e produtivos que garantem previsibilidade aos investimentos, incluindo o limite técnico de capacidade de suporte, definido por carga máxima de fósforo em 7.802,88 quilos por dia. A medida cria bases sólidas para expansão sustentável e posiciona Itaipu como um dos maiores polos aquícolas em potencial na América Latina.
Itaipu coloca o Paraguai como mais um protagonista da expansão aquícola latino-americana. Mais do que ampliar a produção nacional, o projeto transforma o reservatório em um território de integração regional. A recente autorização para cultivo pelo Governo do Paraguai conecta os dois países em uma agenda comum baseada em inovação, geração de renda e segurança alimentar. Por se tratar de um reservatório binacional, a produção no lago dependia da mudança na legislação paraguaia, que aconteceu em dezembro passado, abrindo uma nova fase, a definição de estratégias de produção, de modelo produtivo e de governança para o desenvolvimento integrado da atividade em toda a extensão do reservatório.
A aprovação transforma Itaipu em um projeto compartilhado entre Brasil e Paraguai, criando uma nova lógica produtiva baseada em cooperação internacional e gestão conjunta dos recursos hídricos. O lago passa a ser visto como um dos maiores polos aquícolas projetados na América Latina, com potencial estimado em centenas de milhares de toneladas anuais, capaz de posicionar a região como hub internacional de produção e inovação. A dimensão estratégica dessa decisão amplia o significado econômico do reservatório. Estudos técnicos apontam esse potencial produtivo expressivo, projetando Itaipu como referência global. Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, a iniciativa representa uma nova etapa de desenvolvimento regional, capaz de transformar a infraestrutura energética em vetor de geração de renda, inovação tecnológica e segurança alimentar, fortalecendo a economia da fronteira e criando oportunidades para produtores dos dois países.
IFC Brasil acompanha impulso do setor no Brasil e na América Latina
Para o presidente do IFC Brasil, Altemir Gregolin, a tilapicultura brasileira entra em um novo ciclo de crescimento, que se explica por quatro fatores principais: redução das tarifas de impostos de importação pelos Estados Unidos – importante mercado para o Brasil, mercado interno aquecido e em expansão com a tilápia integrada ao paladar brasileiro, a entrada de novas cooperativas, novos investidores na atividade e a ágil adoção de novas tecnologias. Para Gregolin, a combinação desses elementos aponta para um cenário muito positivo e reforça a importância de espaços estratégicos de debate para orientar o crescimento sustentável do setor.
A CEO do evento, Eliana Panty, avalia que o avanço da tilápia brasileira já influencia toda a dinâmica latino-americana. A crescente presença de participantes internacionais no IFC demonstra que o continente vive uma fase de reorganização produtiva, na qual países sul-americanos passam a enxergar a aquicultura como alternativa estratégica de desenvolvimento econômico e segurança alimentar. Enquanto o Brasil lidera em escala e tecnologia, países como Paraguai, Colômbia, Equador, Peru e Chile ampliam investimentos e buscam integração comercial e técnica, formando um ecossistema regional em rápida expansão.
A América Latina, hoje considerada a região de crescimento mais acelerado da tilapicultura mundial, encontra no avanço brasileiro um efeito catalisador. O reconhecimento internacional da tilápia nacional como produto de qualidade, aliado ao fortalecimento das exportações e à abertura de novos mercados, indica uma mudança estrutural no mapa global do pescado. O continente deixa gradualmente a posição de mercado emergente para assumir papel relevante na oferta mundial de proteína aquícola.
IFC Brasil se consolida com evento internacional
Ao longo dos últimos anos, o IFC Brasil acompanhou a transformação de um setor que saiu de uma lógica regionalizada para assumir protagonismo internacional. Hoje, o evento se posiciona como ponto de convergência entre países que compartilham desafios e oportunidades semelhantes, como abundância hídrica, condições climáticas favoráveis, demanda crescente por alimentos sustentáveis e necessidade de integração tecnológica. A presença cada vez maior de delegações estrangeiras evidencia que o Brasil começa a ser reconhecido como polo produtivo cada vez mais relevante na aquicultura mundial.
Ao mesmo tempo, o crescimento da aquicultura latino-americana não se limita à tilápia. O desenvolvimento de cadeias produtivas de peixes nativos demonstra a diversidade e o potencial do continente. Experiências brasileiras demonstram que arranjos produtivos regionais podem impulsionar espécies locais, ampliando oportunidades econômicas e fortalecendo a sustentabilidade da atividade. Esse equilíbrio entre produção em escala e valorização da biodiversidade passa a ser uma das marcas da aquicultura sul-americana.
É justamente essa convergência entre produção, inovação, políticas públicas e integração internacional que o IFC Brasil pretende traduzir em sua oitava edição. Mais do que uma feira ou congresso, o evento consolidou-se como um espaço onde produtores, indústrias, investidores, pesquisadores e formuladores de políticas se encontram para discutir caminhos estratégicos para o setor.
Realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná, o IFC Brasil representa o reflexo de uma cadeia que amadureceu, ganhou escala e passou a atuar de forma integrada no continente. A expansão da produção, o potencial do lago de Itaipu e o avanço coordenado da piscicultura regional indicam que o futuro do pescado não será definido por um único país, mas por uma América Latina cada vez mais conectada.
Entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026, o IFC Brasil reunirá quem produz, transforma, investe, pesquisa e lidera o setor justamente no território que simboliza a integração regional que hoje redefine a piscicultura. Em um cenário marcado pela expansão da tilápia, pelo fortalecimento das espécies nativas e pelo potencial binacional do lago de Itaipu, o IFC Brasil se afirma como o espaço onde a América Latina debate não apenas o crescimento do setor, mas o seu posicionamento definitivo no mercado global de alimentos.
Serviço
Evento: IFC Brasil – 8ª edição
Data: 02 a 04 de setembro de 2026
Local: Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention – Av. Costa e Silva 3500, Foz
Cidade: Foz do Iguaçu, região Oeste do Paraná
Público: produtores, indústrias, pesquisadores, fornecedores, investidores, startups, representantes institucionais e profissionais da cadeia do pescado da América Latina.
CNPJ: 10.500.653/0001-93
Política de cancelamento