A demanda global por alimentos aquáticos deve dobrar até 2050 e precisamos tecnologia para suprir
A afirmação é da organizadora do IFC Brasil & Fish Expo, evento que chega à quinta edição como o maior fórum de discussões do setor do pescado
Perspectivas da FAO para pesca e aquicultura até 2030 projetam um aumento na produção, consumo e comércio, oportunidade para o pescado brasileiro nas gôndolas mundo afora. A projeção é que a produção total de animais aquáticos deve chegar a 202 milhões toneladas em 2030, graças principalmente ao crescimento sustentado de aquicultura, projetada para atingir 100 milhões de toneladas pela primeira vez em 2027 e 106 milhões de toneladas em 2030. Boa parte dessa produção será em água doce, ou águas do interior como reservatórios, tanques escavados e açudes.
Mas, para o Brasil assumir protagonismo nesse mercado será preciso um salto de produtividade que só a tecnologia pode oferecer, alerta a empresária e organizadora do IFC Brasil Eliana Panty. Os desafios do setor para atingir essa meta de produção com aumento de produtividade serão debatidos o 5° International Fish Congress & Fish Expo Brasil que será realizado de 19 a 21 de setembro no Recanto Cataratas Thermas & Resort em Foz do Iguaçu- PR.Na programação deste ano foco em tecnologias para produtividade e sustentabilidade e a presença de mais de 60 especialistas internacionais vindos da Ásia, Europa e Américas.
Panty destaca a tendência que pode beneficiar a produção brasileira "Nos relatórios da Blue Food Assessment - BFA/Stanford University, os especialistas projetam que o consumo global aumentará de 80 milhões de toneladas em peso vivo para quase 155 milhões de toneladas em todas as categorias de peixes e mariscos nas próximas três décadas, desde que a produção mantenha o ritmo e os preços reais não subam", revela.
Eliana aponta que uma oportunidade única para o pescado brasileiro em adotar tecnologias que permitam uma produção sustentável, desde a genética, passando pela nutrição, instalações, até o processamento. "Olhando para o futuro podemos ver que a aquicultura no Brasil poderia se beneficiar com a adoção de alguns dos desenvolvimentos tecnológicos do que é conhecido como "Aquacultura 4.0", incluindo a coleta de dados de sensores permanentes em vez de manuais e o uso de inteligência artificial para melhorar a tomada de decisões. Para ter assertividade e predição precisaremos antes entender como transformar dados em informação, desde a coleta até o uso de inteligência artificial e IOT" dispara.
AMBIENTES INOVADORES
A organizadora e diretora da Fish Expo, feira de negócios que acontece em paralelo ao congresso comenta "O desafio é desenvolver sistemas inovadores e ambientalmente, social e financeiramente equilibrados que otimizem a eficiência produtiva por meio de inovações tecnológicas de ponta, distribuam a riqueza de forma equilibrada e mantenham o funcionamento saudável dos ecossistemas costeiros e interiores. Temos que estar atentos aos sistemas integrados de cultivo, uso mais eficiente de resíduos e uso racional da água.Precisamos desenvolver sistemas de produção verdadeiramente sustentáveis para manter uma indústria perene e rentável. O futuro dependerá da capacidade de cientistas, agricultores e funcionários do governo de trabalharem juntos com esses desafios em mente, focados na produtividade".
Panty destaca que é vital que esse crescimento ande de mãos dadas com a proteção dos ecossistemas, reduzindo poluição, protegendo a biodiversidade e garantir a equidade social.
CONSUMO EM CRESCIMENTO
O pós pandemia evidenciou uma mudança comportamental que está em curso, iniciou na Europa e América do Norte e agora chega a America do Sul, onde os consumidores estão atentos não apenas àqualidade nutricional, mas a procedência do alimento, em especial as proteínas como fonte de saúde.Com isso a crescente demanda por peixes e outros alimentos aquáticos está causando uma rápida mudança no setor de pesca e aquicultura.
O consumo está projetado para aumentar em 15% e alcançará 21,4 kg per capita em 2030, impulsionado principalmente pelo aumento da renda e urbanização, novas tendências alimentares, com atenção especial à melhoria da saúde e nutrição, fenômeno evidenciado no pós pandemia e que apresenta sólida tendência apontam estudos da FAO no relatório SOFIA - relatório estatístico lançado globalmente pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU).
O IFC 2023 conta com o apoio das principais entidades do setor e tem a correalização da FUNDEP - UNIOESTE PR.