Todos os elos da cadeia da piscicultura estiveram reunidos na terceira edição do International Fish Congress (IFC) e Fish Expo, em Foz do Iguaçu (PR) entre os dias 24 e 26 de novembro. "Nosso propósito foi realizar um evento que reunisse quatro pilares fundamentais e estratégicos: exposição de tecnologias, conhecimento, negócios e trabalhos científicos", resume o presidente do IFC 2021 e ex-ministro da Pesca, Altemir Gregolin. O "evento de cadeia", como ele classifica, também teve como objetivo fomentar o relacionamento com o setor, empresas, entidades e governo. "A ideia, desde o início, foi trazer 'insights', ou seja, palestras de 10 a 20 minutos, condensando assuntos similares em painéis temáticos", define a diretora Executiva do IFC, Eliana Panty , acrescentando: "Assim, as pessoas saem do congresso com informação suficiente para buscar aquelas soluções que mais se inserem na sua realidade".
De acordo com Gregolin, para que a programação fosse internacional e tivesse aderência à realidade, dezenas de especialistas da área foram consultados: "Se a pandemia impôs restrições, a tecnologia transpôs, permitindo que contássemos com a participação de profissionais de 16 países, entrando ao vivo da Noruega, China, EUA, enfim, de qualquer parte do mundo". E esse ambiente de fomento ao conhecimento também gerou negócios. Conforme indica Panty, foram pelo menos quatro lançamentos globais inéditos durante a feira: "Das máquinas expostas, nenhuma volta para 'casa', todas já têm destino". Movimentação que só reflete o crescimento já existente no setor, define a diretora Executiva. "Os últimos três anos formaram um período de transformação na cadeia do pescado, com abertura de mercados e implementação de novas tecnologias", diz.
Na visão do presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, foram os empresários e piscicultores, de todos os portes, que pavimentaram o caminho do setor até chegar ao nível atual: "Por isso, a primeira coisa que podemos fazer ao pensar no futuro é mudar essa narrativa de que o Brasil destrói suas matas e seus oceanos, pois não corresponde à realidade. Somos um País sustentável". E essa definição envolve tópicos além dos relacionados ao meio ambiente. "É quando entra a outra parte do tripé, os fatores sociais e econômicos", explica o presidente Executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros, adicionando: "Não existe sustentabilidade social mais importante para um pai, por exemplo, do que proporcionar segurança alimentar e educação ao seu filho; e o produtor consegue fazer isso por meio do seu trabalho".
POTENCIAL INTERNACIONAL
Na visão do secretário Adjunto de Aquicultura e Pesca do MAPA, Jairo Gund, a piscicultura deve seguir crescendo. Ele mostrou um monitoramento da pesca, realizado desde a década de 50 até 2018, o qual ilustra uma linearidade no setor pesqueiro; ou seja, essa atividade atingiu um limite sustentável em termos de volume. "Se não é possível pescar mais, a opção é a criação de cultivo. Por isso, vemos uma interação crescente, com uma simbiose entre os dois setores", diz. Esse é um fator relevante no avanço da aquicultura verde e amarela através dos mares. A conquista de mercados ainda não abertos foi uma das metas debatidas durante o IFC. "Conheço muitos países e sei que todos reconhecem a riqueza e potencial que temos; porém, estamos acomodados, deixando de usufruir das nossas vantagens", critica o presidente da ABCC, Itamar Rocha. O representante da carcinicultura ainda questionou: "Se o mundo vai precisar que o Brasil abasteça a população global com ainda mais produtos agropecuários, imagina como vai ficar a demanda por pescado, que já é crescente? Tenho certeza que o futuro do País é brilhante".
E um dos grandes nomes da aquicultura global concorda. Segundo Kevin Fitzsimmons, ex-presidente da Sociedade Mundial de Aquicultura e professor da Universidade do Arizona (EUA), o Brasil tem potencial para alcançar - e até ultrapassar - a China, o maior produtor de tilápia . Isso porque a China sofreu um revés na demanda e produção em 2020, com a pandemia de Covid-19; ao contrário do Brasil, que manteve crescimento nas duas categorias. "Uma das razões para isso, além do lockdown severo ocorrido no país asiático, é que o custo de produção e de mão de obra aumentou rapidamente por lá ao longo dos anos", diz e acrescenta: "No Brasil também houve aumento, mas de forma mais lenta ao longo dos anos". De acordo com Kevin, muitos especialistas acreditam que a China, produtora de tilápia somente na faixa sul do seu território, está chegando ao máximo do seu potencial produtivo. "Em contrapartida, acreditamos que o Brasil produzirá cada vez mais, tanto para o mercado interno quanto externo, já que tem todo o território disponível para a atividade".
E já que o país verde e amarelo é reconhecido internacionalmente como player do mercado de proteína animal, sendo o maior exportador de frango e o quarto em suínos, a aquicultura deve seguir o mesmo caminho, na visão de Panty: "A entrada de grandes corporações nesse jogo deve alavancar o Brasil aos holofotes, e a mola propulsora disso são as cooperativas, que trazem a expertise da avicultura para o 'frango da água', fazendo com que a piscicultura avance dez anos em um".
Durante seu discurso na abertura desta edição, a ministra do MAPA, Tereza Cristina, também evidenciou o cooperativismo e afirmou que esta boa experiência deve ser exportada para outros segmentos em todo o Brasil. "Depois de três anos, é satisfatório ver o setor cada vez mais engrenado e motivado. Há muito espaço para crescer", definiu. faz parte de um planejamento interno para que, no mercado externo, as coisas fluam. Ela "De 2019 para cá, procuramos soluções no governo para tudo o que sofríamos do outro lado do balcão, como produtores", complementou o secretário de Pesca e Aquicultura, Jorge Seif Junior, acrescentando: "O produtor quer segurança jurídica, crédito e um governo que não atrapalhe. Nessas premissas, teremos revisto mais de mil normas até o final de 2022, tirando a necessidade do servidor público em alguns processos burocráticos, disponibilizando-os online".
Para a ministra, essa iniciativa faz parte de um planejamento interno para que, no mercado externo, as coisas fluam, contou que esteve na Rússia recentemente, voltando com a abertura de nove plantas para suínos e três para bovinos. "Na próxima viagem, quero voltar com a abertura para o setor de pescados", diz e finaliza: "A oportunidade está aí, e está dada a ordem de comando: produzir; pois o mercado para peixe, nós temos".
* Reportagem exclusiva publicada na edição da Revista Feed&food 176 de dezembro de 2021. Veja a reportagem na íntegra no site da revista.